responsabilidade socioambiental e sustentabilidade

A turma do bem que deu um aBRAÇO carinhoso na microcefalia e outras malformações congênitas e neurológicas

Quando surgiu o surto de microcefalia e outras malformações congênitas e neurológicas, em 2015,muitos pais sequer sabiam do que se tratava, o que esperar do desenvolvimento dos filhos e que tipo de tratamentos seriam fundamentais. A falta de informação, aliada às dificuldades enfrentadas pelas famílias em relação ao acompanhamento integral das crianças portadoras de microcefalia e outras malformações congênitas e neurológicas, fez nascer, em 2016, o aBRAÇO, rede de apoio focada em criar estratégias de enfrentamento às adversidades que estavam por vir. Com a participação ativadas famílias, um grupo de profissionais encarou o desafio de proporcionar qualidade de vida a essas pessoas, reacendendo a crença em um futuro de esperança e possibilidades.

A turma do bem por trás da iniciativa inclui uma equipe multidisciplinar, composta por nutricionistas,psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais. Assim, as crianças com microcefalia e outras malformações congênitas e neurológicas conseguem ter estímulo precoce dentro de um programa de atendimento completo. Essas intervenções clínico-terapêuticas ajudam no desenvolvimento, abrandando as sequelas neuropsicomotoras e contribuindo para a inclusão,incremento da linguagem e construção das relações sociais.

Nutrição eficaz - A aBRAÇO é um dos poucos centros no Brasil que disponibiliza a dieta cetogênica no tratamento da epilepsia de difícil controle. “É uma terapia eficaz e seguraque extrapola os efeitos na redução do número e a gravidade das crises convulsivas, diminuindo a espasticidade e aumentando a interação. Esse conjunto de efeitos potencializa a resposta da fisioterapia e da fonoaudiologia, concorrendo para uma melhora na qualidade de vida da criança e das famílias”, explica a nutricionista, Bárbara Nery.

Vínculos e autoconhecimento - A equipe de psicologia oferece o suporte psicoterápico às mães e/ou cuidadores de crianças com diagnóstico da Síndrome Congênita do vírusZika (SCZ). “Fazemos uso de escuta terapêutica e atividades de fortalecimento dos vínculos familiares e sociais. O acompanhamento psicoterapêutico enriquece o processo de autoconhecimento. Com isso, se tornam mais capazes de refletir sobre suas ações, mudam seu comportamento e vivendo mais adaptadas ao que é possível e tornando seu estar no mundo mais pleno”, afirma a psicóloga do grupo,Márcia Sampaio.

Reabilitação - Os fisioterapeutas da aBRAÇO traçam planos individualizados, de acordo com a necessidade de cada criança. “Trabalhamos com várias abordagens,como a aplicação de Ziclague, Therapy Taping, manobras respiratórias, indicação e prescrição de órteses e dispositivos auxiliares para marcha e cadeiras de rodas,além de manuseios para manutenção do comprimento muscular, adequação de tônus muscular, ganho de força muscular, tudo de forma lúdica”, esclarece a fisioterapeuta Carmen Júlia. Os profissionais também orientam os acompanhantes em relação aos cuidados diários com os filhos.

Participação social - A terapeuta ocupacional, Verena Ballalai, explica que a microcefalia e outras malformações congênitas e neurológicas causam alterações importantes nos componentes de desempenho ocupacional sensoriais,motores, cognitivos, emocionais e sociais. “Isso repercute na participação social nas diversas áreas de ocupação,atividades diárias, participação escolar e social. Por isso,é fundamental a presença do terapeuta ocupacional nas equipes de habilitação e de reabilitação. Quanto mais precoce a intervenção, mais benéficos serão os resultados”,afirma.

Intervenção fonoaudiológica - “As crianças acometidas pela Síndrome Congênita do Zika Vírus apresentam alterações motoras orais, auditivas, visuais, cognitivas e comportamentais, déficit de linguagem, entre outras alterações”, pontua a fonoaudióloga Mirela Monteiro. A intervenção fonoaudiológica atua na condição clinica e favorece as aquisições das habilidades de compreensão e expressão, essenciais para socialização.