Obesidade é um grave fator de risco para a Covid-19

*Por Regilene Batista, Endocrinologista e coordenadora do Serviço de Tratamento de Obesidade Promédica - STOP.

Até 11 de maio de 2020, mais de 4 milhões de infectados pelo novo Coronavírus eram registrados no mundo, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), com cerca de 279 mil mortes pela COVID-19. No Brasil, temos mais de 200 mil casos e somos o 6º país em número de mortes, com mais 13 mil óbitos causados por este vírus.  Entre as doenças que trazem maior chance de pior evolução dos casos de COVID 19, temos as doenças cardiovasculares, diabetes e, mais recentemente, a obesidade.

Os números da obesidade não são pequenos: estima-se mais de 40 milhões de obesos no Brasil, com cerca de 19,8% da população apresentando Índice de Massa Corpórea (IMC) acima de 30 Kg/m², segundo dados da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica).

É fato que doenças cardiovasculares e diabetes estão muito relacionadas com obesidade, mas alguns estudos mostram a obesidade como fator de risco isolado para evolução desfavorável dos pacientes com COVID19, especialmente para pneumonia com necessidade de ventilação mecânica mais precoce e por período mais prolongado. São pacientes com maior risco para Síndrome Hipoventilatória na UTI, o que per si já poderia levar à insuficiência respiratória nos pacientes que evoluem para Síndrome da Angustia Respiratória Aguda (SARA), quadro respiratório mais grave nesses pacientes.

Dra. Regilene Batista

Há conhecimento, também, de que o tecido adiposo, constituído pelas células que armazenam gordura, representa papel importante no equilíbrio endócrino, metabólico e imunológico do corpo. Nos indivíduos obesos, o tecido adiposo apresenta um estado pró-inflamatório crônico com desregulação na resposta imune celular associado à liberação de um perfil desregulado de citocinas, substancias que orquestram a inflamação. Intrinsecamente ligado a isso, ocorrem distúrbios metabólicos, incluindo resistência à insulina, onde as células do corpo não respondem bem a este hormônio, levando à elevação do açúcar no sangue e distúrbios no metabolismo do colesterol e triglicérides.

Recentemente, um estudo americano mostrou uma correlação inversa entre idade e IMC, na qual indivíduos mais jovens admitidos com COVID-19 na UTI tinham uma maior tendência a serem obesos. Dessa forma, numa população na qual seja maior a prevalência da obesidade, a COVID-19 pode afetar populações mais jovens do que vem sendo previamente descrito. Por isso, a importância de veicular mensagens informando que indivíduos, portadores de obesidade, mesmo entre os mais jovens, apresentam um risco maior de evoluírem para um quadro desfavorável da COVID 19 e devem manter uma maior vigilância nos cuidados de higiene e isolamento social.

Além desses cuidados, é importante manter algum contato com profissionais de saúde que possam dar suporte, mesmo por telefone, para esclarecer dúvidas, orientar e estimular medidas de higiene, motivar hábitos saudáveis, tais como dar preferência à alimentação caseira, desenvolvendo dotes culinários, no lugar de alimentos ultraprocessados, fazer atividade física em casa com auxílio de videoaulas ou aplicativos e manter a saúde mental, apesar do isolamento social.

A equipe multidisciplinar do Serviço de Tratamento de Obesidade Promédica (STOP), programa da Medicina Preventiva da operadora composto por endocrinologistas, nutricionista e psicóloga, vem mantendo contato com os pacientes do programa por telefone para motivar que os mesmos mantenham os cuidados necessários para evitar a COVID19, mas também mantenham as medidas de cuidados para controle do peso e de sua saúde.